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Ano
II - nº 3 |
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Vantagens e desvantagens de ter seguro de vida no exterior |
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Se você ainda não foi abordado por um representante
de uma companhia de seguros internacional para fazer um seguro
de vida no exterior, prepare-se. Onde menos esperar, lá
estará ele: no clube de esportes, em festas, no sindicato
profissional, na associação de classe. Essa é
a forma desses "agentes" abordarem os potenciais clientes
no Brasil. Ele vai oferecer um seguro de vida resgatável
em vida, em dólar, com prazo de 15, 20 e até 30
anos. A remuneração pode ser em juros fixos de
4% a 6% ao ano. Um prospecto completo será apresentado,
com informações institucionais da seguradora -
muitas são altamente qualificadas em termos de risco
de crédito, pelas mais importantes agências de
rating (classificação de risco) do mercado.
Muita gente já foi seduzida por essas propostas, especialmente
quem quer ter uma poupança em moeda forte, fora do Brasil.
Calcula-se que esse seguro de vida "informal" manda
US$ 15 milhões por ano de brasileiros para o caixa de
seguradoras estrangeiras. Por quê "informal"?
Porque a lei brasileira não permite fazer seguro no exterior,
pelo menos não diretamente. Mas é só ter
uma conta bancária em outro país (isso é
permitido) que qualquer um pode contratar. Pela mesma razão,
os agentes das companhias estrangeiras não têm
licença para vender seguro no Brasil. A negociação
então, é informal e eles são totalmente
discretos.
É vantagem? Sim, se o objetivo é exatamente ter
uma poupança no exterior. Nos Estados Unidos e na Europa,
o mercado segurador é extremamente sólido e diversificado.
Você será apresentado a planos que não existem
(ainda) no Brasil, que podem ser bastante interessantes, como
o "variable life", em que os recursos são aplicados
no mercado de ações, podendo obter rentabilidades
muito acima da média dos investimentos a longo prazo.
Além disso, os excedentes financeiros das aplicações,
ou seja, quase tudo o que a companhia consegue em rentabilidade
acima do combinado com o segurado, é repassado para o
plano, proporcionando rendas maiores no futuro ou redução
dos prazos para resgate.
As taxas de administração são muito menores
que as encontradas por aqui, o que não é nenhuma
bondade. Todos os planos de seguros resgatáveis impõem
pesadíssimas penalidades para quem desiste da aplicação
antes de quatro, cinco às vezes oito anos. Com esse prazo
de carência, a seguradora consegue pagar comissões
muito maiores aos agentes de venda e fazer muito lucro nos primeiros
anos do plano.
Agora as desvantagens. Primeiro, os pagamentos têm que
ser feitos no país da seguradora. Algumas companhias
permitem que as contribuições sejam pagas via
cartão de crédito internacional - e nesse caso
vai funcionar da mesma maneira que se faz uma compra de livro
ou CD pela internet, por exemplo. A conta chega na fatura do
cartão que vem regularmente para sua casa. Se você
não tem conta bancária no exterior, nem quer usar
o cartão de crédito para esse fim, terá
que contratar o famoso "doleiro" para fazer a remessa
dos dólares, o que já eleva muito o risco da operação.
Outro aspecto negativo: se houver qualquer problema no relacionamento
com a seguradora, o segurado vai ter que contratar um advogado
no país da seguradora para resolver - ou seja, não
conte com a Justiça brasileira, já que a operação
não é reconhecida pela legislação
brasileira. E prepare-se, porque advogados nos países
desenvolvidos não são nada generosos.
Alguns cuidados fundamentais têm que ser tomados: checar
a existência e a solvência da seguradora lá
fora. Isso pode ser feito via telefone, fax, internet e até
mesmo com empresas sediadas no Brasil. Certificado a respeito
da companhia, cheque se o agente realmente a representa. Pegue
todos os dados e documentação do indivíduo
e com um telefonema ou um fax é possível resolver
essa dúvida.
Fonte:
Por Janes Rocha
Jornal Valor Econômico |
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Comprar seguro para agradar o gerente é jogar
dinheiro fora |
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Muita gente compra seguros baratinhos para conseguir vantagens
com os gerentes dos bancos - um limite de cheque especial maior,
por exemplo. É a chamada venda casada, que além
de ofensiva ao Código do Consumidor, deseduca o público
para um serviço que pode realmente ser um bom investimento.
O seguro é um instrumento poderoso de proteção
do patrimônio e de fato pode ser considerado barato se
for bem comprado.
Fazer uma boa compra de seguro exige, antes de mais nada, um
planejamento financeiro pessoal, avaliação o mais
precisa possível do patrimônio, dos riscos relevantes
e das reais necessidades financeiras. Mesmo o seguro de automóvel,
que virou praticamente uma " commodity " do mercado
segurador, pode ser melhor aproveitado em termos de coberturas
adequadas e preços. Comprar um seguro só para
ganhar pontos com o gerente é atirar dinheiro pela janela.
Isso sem falar em seguros mais elaborados, de vida e previdência,
que envolvem o investimento por longos 10, 20 ou 30 anos.
O " bombardeio " de notícias sobre o colapso
da previdência oficial está levando muita gente
a contratar planos de previdência para não ficar
na miséria quando se aposentar, o que é corretíssimo.
No entanto, os especialistas em finanças pessoais são
unânimes em alertar para a forma como se compra. É
preciso avaliar alguns dados como a idade e a capacidade de
poupança. Uma pessoa jovem, na faixa dos 20 aos 30 anos,
casada e com filhos pequenos, deve pensar antes na sobrevivência
e continuidade dos estudos dos filhos em caso de falência
dos mantenedores.
Para essas pessoas, é melhor dividir os recursos: uma
parte maior para o seguro de vida, de forma a garantir uma indenização
tal que permita aos filhos concluir os estudos (ainda faltam
muitos anos para isso, nesse caso) e menos para a aposentadoria.
Conforme os filhos vão crescendo, o tempo que falta para
eles concluírem os estudos diminui. É o caso,
então, de ir reduzindo o valor gasto com seguro e aumentando
os aportes para a aposentadoria. Quando eles já estiverem
crescidos, em condições de se sustentar sozinhos,
o seguro de vida perde a função. É hora
de os pais investirem bem mais na aposentadoria.
Também não adianta fazer um seguro de vida pensando
nos estudos dos filhos, sem fazer uma análise fria da
capacidade e responsabilidade deles. Um caso clássico,
ocorrido recentemente: Um executivo da área de mídia,
falecido há dois anos, deixou um seguro de vida no valor
de R$ 500 mil para o filho. Com 16 anos quando o pai morreu,
o menino estava ainda cursando o segundo grau.
O pai pensava no futuro dele, deixou dinheiro suficiente para
que ele fizesse um bom cursinho e entrasse numa boa faculdade,
pública ou privada. Em janeiro passado, chegaram aos
colegas do pai notícias do menino. Terminou o segundo
grau, largou os estudos e está preparando as malas para
uma temporada de surf no Hawai. Não vai gastar todo o
dinheiro do seguro de vida porque grande parte já foi
gasto. Pela mãe, que resolveu reformar a casa, trocar
de carro e renovar a decoração e o guarda-roupa
de ambos.
Agora responda: O executivo fez um investimento na educação
do filho ou jogou dinheiro fora ao contratar o seguro de vida?
Por isso os analistas insistem que comprar uma apólice
de seguro pode se revelar um excelente investimento, mas depende
de um planejamento que leva em conta questões pessoais
importantes.
Fonte:
Por Janes Rocha
Jornal Valor Econômico |
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